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Rio de Janeiro, 06 de dezembro de 2011
 
 
Cuidados paliativos em pediatria em foco no Hospital dos Servidores.

 
Dialogar sobre a qualidade de vida de crianças e seus familiares diante da doença que ameaça a vida foi o tema do II Encontro de Cuidados Paliativos em Pediatria, organizado pelo Setor de Oncohematologia Pediátrica do Hospital Federal dos Servidores do Estado (HFSE), no dia 25 de novembro.

A prática do cuidado paliativo pressupõe uma atenção ativa ao paciente, dando o suporte necessário à família no intuito de aliviar o sofrimento de ambos. Este encontro recebeu apoio do Instituto Desiderata, através da Associação Curumim, no âmbito do Plano de Trabalho 2011 do Aquário Carioca do HFSE. Vale ressaltar que esta associação foi fundada pelos profissionais do serviço com o objetivo de potencializar suas ações, permitindo receber recursos que possam ser direcionados à manutenção da sala de quimioterapia humanizada, assim como para atividades de conhecimento direcionadas ao tema.

  Na foto: Dr. Gil Baptista, Dr. Fernando Werneck e Drª Regina Solano (HFSE); Roberta Costa Marques (Desiderata)

A primeira conferência “O fim da vida em pediatria – discutindo a autonomia da criança” foi ministrada pelo médico Alexandre Costa (IPPMG/UFRJ), que provocou o público a refletir sobre a morte como possibilidade que deve ser respeitada e discutida com familiares e pacientes. Também enfatizou a criança como um sujeito de direito, devendo ser envolvida nas decisões sobre o que lhe proporciona maior bem-estar no final da vida e ressaltou a relevância da formação de Comitês de Bioética nos hospitais, apoiando a discussão para a tomada de decisões éticas para profissionais e pacientes.

  Na foto: Palestra do Dr. Alexandre Costa

A segunda mesa, “Cuidados integrais no fim da vida – a criança, seus familiares e sua equipe”, teve início com o tema “Abordagem médica no fim de vida da criança”, apresentado pela oncologista do Instituto Nacional do Câncer (INCA), Marina Sevilha. Marina distinguiu cuidados paliativos - ações voltadas para a qualidade de vida do paciente, devendo começar quando a doença é diagnosticada, de cuidado no fim de vida – ações voltadas para a qualidade da morte, em que a equipe de saúde busca minimizar angústias, procedimentos e sofrimentos evitáveis para pacientes, famílias e cuidadores.

O luto dos familiares” foi analisado pela médica Adriana Thomaz, que ressaltou a perda de um ente querido como um momento de transição pessoal e social no qual os familiares precisam buscar um novo sentido de vida. A adaptação familiar à perda e elaboração do luto depende de muitos aspectos que circundam esse período. Dessa forma, entender quem é essa família e como é sua rede de apoio é fundamental para trabalhar esse momento, explicou a especialista em Dor e Medicina Paliativa, Psico-oncologia e Terapia do Luto.

A psicóloga Juliana Mattos (HFSE), organizadora do evento, abordou o tema “Legitimando o luto dos profissionais de saúde”. Os profissionais comumente vivenciam situações de perda de pacientes, o que causa impacto em sua qualidade de vida e trabalho, porém seu luto nem sempre é reconhecido. Para refletir sobre esses desafios, o HFSE desenvolve um trabalho direcionado aos profissionais do serviço de onco-hematologia, com foco nos residentes.

  Na foto:Juliana Mattos

A mesa “As necessidades da criança no fim da vida”, apresentada por Rosa Mitre, Ana Lucia Baptista e Marly Chagas, abordou os benefícios da terapia ocupacional, arteterapia e musicoterapia no tratamento de crianças durante o período do agravamento da doença, e no suporte aos seus familiares, melhorando o ambiente hospitalar e residencial, as relações entre pacientes e profissionais. O brincar foi ressaltado como fundamental em qualquer etapa da vida.

Aos médicos Tatiana Soria e Lucas Pulcheri coube o tema “É possível falar de Cuidados Paliativos em CTI”?, apresentando os desafios dos cuidados paliativos em CTI pediátrico, tema que não é abordado durante a graduação. Também foi ressaltada a pequena produção científica em torno do tema cuidados paliativos em pediatria.

Por fim, a professora Glória Sobrinho da Universidade Internacional da Paz (UNIPAZ), em sua palestra “A Arte de Cuidar - O Cuidado Essencial”, citou a experiência francesa de cuidados paliativos, para ilustrar a importância da terapia holística e dos ambientes acolhedores como forma de minimizar o sofrimento físico e psíquico dos pacientes em estado terminal.

Os Encontros de Cuidados Paliativos em Pediatria do HFSE tem se constituído num espaço importante para refletir e repensar formas de melhorar a qualidade de vida e de morte em crianças.

A importância do vínculo entre profissionais de saúde, usuários e familiares durante todo o processo do cuidado, visando o bem-estar e autonomia é a essência do cuidado paliativo. Após o sucesso dos dois primeiros Encontros a equipe do Setor de Oncohematologia Pediátrica do HFSE quer tornar esse espaço uma tradição e já está pensando no próximo em 2012.